sexta-feira, 30 de março de 2012

CÂNTICO NOTURNO

(Onorato Ferreira Lima Filho)

Aberta se faz a carne,
Numa incisão profunda na alma,
As lembranças invadem a mente,
e a alma pasma,
Há nos olhos marejos de saudade.
Canta a manhã os versos da sabedoria,
Á tarde começa no serenar profundo,
As dores latejam no âmago sofrivel,
Sem que se ouçam os quérulos do mundo,
E as canções silenciam o espirito em êxtase.
Esbraveja  o "Eu" transeunte de mim.
-  Olham-me alguns nas calçadas da vida,
E nos lamentos mórbidos as palavras se perdem,
Há nas esquinas os farrapos humanos,
Deitados na grama que cobre a terra fertil,
E nos chafaris os banhos da pele suja,
Nas cicatrizes da vida sem remendo ás vestes.
- Gritam minhas vontades
na escuridão das minhas forças,
Lamento triste nas mãos das crianças rebeldes,
Nas ruas sujas das periferias,
E nas praças centrais das metrópolis cegas.
- Ide ali nos becos das desgraças,
E olhais os amontoados humanos,
Que sem rumo, sem pátria, sem coragem, sem vida,
Perdidas na violência das drogas e da morte,
Gruindos dos desesperados nos pulsos cortados,
Na sangria da alma (vida)que náo tem mais valor.
A miséria toma conta da vida em farrapos,
jogados ao léu, a vida rasteja,
E longe dali, nos palácios da guarda,
O bastão dos reis impóem suas loucuras,
Roubam e furtam, os homens que manteriam as vidas,
E o homem perdido, sem voz, analfabeto de sonhos,
Não tem força para levantar-se e seguir adiante.
- Ah! que chega a noite e o desespero grita,
As carnes frias dos humanos  semimortos,
Transitam a esmo, sem a licitude da vontade,
E na escuridão de suas almas, acompanham os reis,
E roubam, furtam, matam em nome da miséria torpe.
Quero arrancar do peito a vontade,
Mas o meu grito ensurdecido,
Mudo, ensandecido,
Não vai além do meu sussurro,
E morro na angustia de ver a vida tão inválida,
Se perder nos braços da ganância humana,
E nas curvas negras da vida.
Ah! que o meu cântico noturno ecoa nas pedras da insensatez,
E ao ouvirem minhas lamúrias fecham portas e janelas,
Apagam-se as luzes e escondem o cristo,
Em joelhos rezam a proteção,
E esquecem de que o pão,
Cessaria o grito dos famintos,
E a água mataria a sede que a vida pede para viver.
E eu choro...
Choro o triste cântico do silêncio,
Que esbraveja na vontade de mudar,
Mas o silêncio emudece na escuridão das almas,
E o meu cântico noturno se perde na vastidão
Da ignorância humana,
Que nem tem vontade de sair á janela e gritar.

O SILÊNCIO NÃO É SOLUÇÃO

(Onorato Ferreira Lima Filho-Sócrates Di Lima)

Descobri que o silêncio ás vezes faz bem,
Mas também, cria uma bifurcação,
Por isso náo convêm,
Silenciar o coração.
O silêncio que as vezes traz a pausa,
Também provoca a desconexão total,
Quem pensa que o silêncio pune com causa,
Se engana, pois o silêncio é mortal.
Quem pensa que o silêncio é só reflexão,
Que mantem o outro coração á espera,
Pode correr o risco de cair na contramão,
E não sorrir mais na primavera.
O mesmo silêncio que faz um coração castigar,'
Faz o amor se perder na estrada que percorreu,
E quando se tentar voltar,
Vai se depará com o amor que no silêncio morreu.
UMa morte lenta, que sangra sem razão,
Sem ter o que buscar no silêncio vazio,
O outro coração longe da emoção,
não mais será encontrado, sozinho ficou frio.
Então, chego a conclusão,
De que o silêncio não é a solução,
O risco é incalculável, pois o amor poderá se perder,
No tempo em que ao silêncio  recorrer,
O amor que silencia, não dá asistência,
Entra em concorrência,
E pela própria displicência,
Perde a preferência.
Quem silencia por tempo longo em demasia,
Achando que vai castigar o coração que sozinho deixou,
Engana-se, pois quando querer voltar, a volta se fará tardia,
...E  nunca mais ter de volta o coração que o silêncio castigou.

COMO UM RIO

(Onorato Ferreira Lima Filho/Sócrates Di Lima)

Na nascente dos meus olhos castanhos,
Nasce o rio que corta minha alma nua,
De águas cristalinas  me batismo em banhos,
Nas noites de devaneios sob a Lua.
Sigo fazendo meu caminho,
Onde o Sol se reflete e transmite sua luz,
Como uma ave em paz repousa em seu ninho,
A natureza e a vida me conduz.
Não me retenho, jamais estou sozinho,
Transpasso obstáculos e sigo em frente,
Levo comigo oo melhor que cruza o caminho,
E quem entra fica, náo por acaso, mas por  Deus um presente.
Levo alegria e recebo gratidão,
Recebo flores e aplausos por onde passo,
Abro as portas e janelas do meu coração,
E sigo a rota do Sol no seu compasso.
A poesia me segue lado a lado,
Me traz paz e sabedoria nos meus piores momentos,
Dá-me asas, faz-me de coração alado,
Enche de melodia os meus sentimentos.
Não esqueço dos meus ais,
Nem dos coração que me recebam,
E as flores em minhas margens não me deixam jamais,
Comigo o amor e a beleza a vida celebram.
Não desdenho a ninguem e nem ignoro, quando de boa-fé,
Mas os incautos, imbecis e palhaços da vida eu abnego,
E de bom grado quem me admira, meu amigo(a) é,
O resto, se me perguntarem, eu nego.
Como um rio, colho o que de melhor entra no meu caminho,
Se me virem com olhos d'alma me seguem sem me questionar,
Recebem de mim, amizade, ternura, amor, paz e carinho,
E comigo com alegria, rumam de mãos dadas para o mar.

OLHARES

(Onorato Ferreira Lima Filho/Sócrates Di Lima)

Olho ás vistas longas, ao meu redor,
Observo nas escritas de todos nós,
Em tom maior,
Como que se fosse uma só voz.

                                                A poesia grita afinada,
                                                Almas separadas em coro recitam,
                                                Cada poesia na alma recitada,
                                                Uma ás outras imitam.

Mas sem plágio,
Apenas a vontade que do coração emana,
Reduzida em palavras com ou sem rimas, adágio,
Que faz uma alma sana ou insana.

                                  É onde divago na busca de olhares,
                                  Que como um véu pouso sobre a poesia,
                                  Olhares negros, mel, azuis, verdes singulares,
                                  Cheios de doces encantos e magia.

Tantos olhares me chamam a atenção,
Sobre os sonhos que a poesia toca,
O meu busca com sublimação,
O olhar que minha alma corta.

                                  Olhares abrem o sorriso que o dia canta,
                                  Abrindo também o coração do poeta,
                                  Nos segredos que o olhar imanta,
                                  Faz o outro abrir a alma na certa.

E o que importa, se há enigma,
Nas vozes mudas do poeta,
O que importa não é o estigma,
Mas o amor que na sua alma faz festa.

                        E se os olhares são redundantes,
                        A cor da iris é o que colore a alma,
                        Misturando todas as cores fazem olhos reluzentes,
                        Aqueles olhares que a poesia faz na mais sutil calma.

É na dança dos olhos que meu coração dança,
Sensuais, mais nunca vulgares,
DE quem olha escreve a poesia com esperança,
De serem lidas pelos mais lindos olhares.